O caso da doação de Caixa 2 para a campanha Firmino Filho em 2012 foi detalhada para procuradores federais do Rio Grande do Sul pelo executivo da Odebrecht, Alexandre Barradas.  O executivo relata que Firmino já tinha recebido dinheiro da empresa em outra campanha. Em 2012, o prefeito acabou recebendo, segundo o depoimento, R$ 250 mil através do Caixa 2 da Odebrecht.

Em agosto de 2012, os dois se encontraram em um restaurante em Brasília para tratar de financiamento da campanha. Mas, Firmino pediu que tudo fosse negociado com seu primo de nome Alberto, em Recife. Não se falou em valores no encontro.

Alexandre Barradas relata que a empresa quis ajudar Firmino porque estava interessada em contratos na Agespisa. Apesar de ser um órgão estadual, a Odebrecht poderia contar com Firmino para que ele pressionasse a companhia.  A criação da Agência Reguladora teria sido uma dessas estratégias, mas segundo o próprio executivo, o prefeito agiu da maneira legal.

Sobre a doação pra campanha, os procuradores tentaram descobrir se Firmino sabia que se tratava de dinheiro de Caixa 2. Alexandre Barradas disse que só deixou isso claro para o primo do prefeito, o senhor Alberto.

Dessa vez, Firmino recebeu o apelido de “Primo” nas planilhas, mas em outra ocasião seu apelido aparece como “Fifi”.

O papel de Alexandre Barradas era entender o papel político de cada personagem. No caso de Firmino, para a Odebrecht, ele tinha potencial para ser governador do Piauí. Ou seja, seria um passo para a empresa se aproximar dos contratos de subdelegação da Agespisa.

O processo vai tramitar na Justiça Federal em Teresina, após despacho do ministro Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

A seguir, detalhes das informações que constam no vídeo do depoimento de Alexandre Barradas:

2min30s– início – fala sobre o encontro em um restaurante de Brasília em meados de agosto de 2012

Alexandre Barradas diz que o encontro com Firmino Filho em Brasília para tratar sobre ajuda para a campanha e o interesse da Odebrecht em contratos de saneamento na Agespisa, órgão ligado ao governo Estadual. “Eu estava falando logicamente com o candidato à Prefeitura; a situação da Agespisa em Teresina é caótica. Ele sabia que eu era da área ambiental, outras doações da empresa a gente sabe que ele recebeu”, declarou o delator.

6min28s Fala sobre a dificuldade que Firmino teria para vencer a eleição

Firmino falou que teria um primo que depois entraria em contato com Alexandre Barradas. O nome do primo é Alberto, que trabalha no sistema financeiro

Nesse momento não se falou em valor, mas Firmino não tinha muito a oferecer, pois não tinha gestão sobre a Agespisa.  “O que ele poderia fazer era falar, brigar, tomar para o município”

9min10s “Ele tentou tomar (Agespisa) não foi por minha causa. Ele tentou tomar porque lá é horrível, quando falta água o povo queima pneu, faz barulho”

13min36s – Alexandre Barradas disse que a Odebrecht já tinha ajudado Firmino Filho de forma oficial, o que é muito comum, a pedido do próprio PSDB nacional

15min35s – “Ele (Firmino) não mencionou valores, mas ficou claro que ele queria dinheiro”

Alexandre Barradas também deu as características físicas do primo de Firmino.

17min38s – Souberam através de Alberto que Firmino estava na frente, segundo pesquisas. “Olha vamos passar pra ele 250 mil, aí a gente fica com a porta aberta para o futuro que possa vir em seu benefício”.  “Fizemos isso via Recife”

18min45 – Fala sobre um outro encontro com Firmino, para tratar sobre o futuro após a vitória na campanha

Os contratos que tivermos lá não vieram dessa forma, vieram de outras situações

21min-28s – Disse que Firmino criou uma agência e prometeu pressionar, fazer ações, multou a Agespisa. “Houve seriedade na relação”, declarou o executivo.

25min35 – Procuradores querem telefone do primo de Firmino (de nome Alberto). Alexandre Barradas diz que tem telefone de muita gente de Recife, mas não sabe se ainda tem o telefone do primo de Firmino. Diz que tem o telefone do prefeito Firmino, mas que não liga pra ele há muito tempo.

27min – Procuradores querem saber se Firmino estava ciente de que a ajuda tratava-se de Caixa 2. “Isso eu disse ao Alberto que seria Caixa 2 e seria entregue lá em Recife”

A entrega do dinheiro teria acontecido em um restaurante chamado leite, em recife ao lado de casa de câmbio – Foi nessa casa que teria sido operada a transação, a entrega do dinheiro, mas não tem certeza. Alexandre Barradas não lembra

35min30s – “O que ele prometeu a fazer ele cumpriu com a parte dele, que era bater na Agespisa, exigir que o governo do Estado cumprisse o contrato, criar a Agência Reguladora para fiscalizar”

Alexandre Barradas diz que foi feito a licitação da subdelegação, mas a Odebrecht perdeu a licitação

Agência criada por Firmino iria constranger ao máximo a Agespisa para que ela cumprisse o papel dela.

40min– Procurador quer saber se o propósito de Firmino era abrir caminho para a privatização da Agespisa. Alexandre Barradas diz que, independente de qualquer coisa, era papel de Firmino como prefeito cobrar a Agespisa.

44min – Procurador quer saber se o que Firmino fez foi tentar tomar a Agespisa. O executivo não afirma, apenas diz que Firmino fez o que tinha que fazer.