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ATÉ O DECLARADO SOB SUSPEITA – Para delatores das empresas que que desviaram o maior volume de recursos públicos da Petrobras e BNDES, Odebrecht e JBS, até o valor legal, declarado à Justiça Eleitoral, fazia parte da propina.

Grande parte dessas doações foi realizada através de uma triangulação conhecida como “caixa 3”. Neste domingo, o jornal Folha de São Paulo voltou a falar sobre a prática em matéria que o deputado federal piauiense, Heráclito Fortes (PSB-PI) afirmou ter recebido dinheiro da Odebrecht, mas entregues através de duas empresas ligadas ao Grupo Petrópolis (dono da Cervejaria Itaipava).

“Eu declarei, foi tudo por dentro. Não sei por qual motivo a Odebrecht não quis dar o dinheiro e passou para outras duas empresas. Acho que havia muita pressão na época e ela não queria aparecer muito”, disse Heráclito ao jornal Folha de São Paulo. LEIA MAIS

Só nas eleições de 2010, a Odebrecht repassou R$ 5,5 milhões para 28 candidatos. Na prestação de contas eleitorais desses políticos, a empreiteira não figurou como a real fonte dos recursos, e sim a Praiamar e a Leyroz.

O próprio empresário Marcelo Odebrecht afirmou em sua delação à Justiça que a empreiteira, da qual foi presidente, usou a Cervejaria Itaipava, do grupo Petrópolis, para repassar propina para políticos.

O Ministério Público tenta avançar nessas investigações, mas sabe que é uma missão mais difícil do que se investigar a prática do “caixa 2”.

No Piauí, o governador Wellington Dias não é investigado e nunca admitiu que foi beneficiado pela triangulação da Odebrecht através de doação oferecida pelo Grupo Petrópolis. Até o momento, os quase R$ 2 milhões recebidos do Grupo Petrópolis nas eleições de 2014 estão no rol do doações legais, aprovadas pela Justiça Eleitoral.

NA ALEPI, TUDO EM ORDEM – Em 2015, o governador Wellington, que tem ampla maioria na Assembleia Legislativa, se livrou de ter que dar mais explicações sobre a parceria com a Itaipava e sobre a ligação do caso com a Odebrecht. Um requerimento do deputado Marden Meneses (PSDB) foi imediatamente arquivado no plenário da casa.  O deputado Robert Rios(PDT) ainda tentou abrir uma CPI, mas só obteve nove assinaturas.