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PAGAMENTOS A POLÍTICOS – Em sua decisão negando o pedido para tirar da cadeia o ex-prefeito de Dom Inocêncio-PI, Inocêncio Leal Parente, o desembargador federal Cândido Ribeiro fundamentou no risco de que o ex-prefeito em liberdade continuaria desviando recursos federais.  A foto é da campanha de 2014, quando Inocêncio Leal pedia votos para o pai do ex-presidente da Funasa, Henrique Pires.

Para o Ministério Público Federal, as interceptações telefônicas deixam claro, “que embora o objeto de investigação tenha iniciado em 2012, o investigado Inocêncio Leal Parente continua agindo, na atualidade, agora na condição de empresário, em diversos municípios do Piauí, Bahia e Pernambuco” . Dentre os municípios citados com influência dos atos dos acusados presos da Operação Pastor estão: Capitão Gervásio-PI, São Lourenço-PI, São Raimundo Nonato-PI e Paulistana-PI.

Para o desembargador, mesmo após deixar o cargo de prefeito, Inocêncio Leal continuou atuando se aproveitando de sua influência política na Funasa para conseguir mais recursos para obras na região e, que, supostamente seriam executadas pelas empresas investigadas.

Em Brasília, Inocêncio Leal tinha como seu grande aliado o presidente da Funasa, Henrique Pires. O ex-prefeito fez campanha para Magno Pires (pai de Henrique) nas últimas eleições para deputado estadual (na foto, Inocêncio discursa ao lado de Henrique Pires).

PREFERIA USAR WHATSAPP – O desembargador Cândido Ribeiro também apontou que o ex-prefeito teria tratado nos últimos meses de pagamentos para prefeitos em final de mandato e que, na maioria das vezes, ele evitava tratar desses assuntos por telefone, preferindo usar o aplicativo WhatsApp.

Ao negar o Habeas Corpus impetrado pelo advogado Lucas Villa  para que o ex-prefeito saísse da cadeia, o desembargador Cândido Ribeiro reafirmou que as ligações telefônicas demonstraram:

a) a ativa participação de Inocêncio Leal Parente na política local, exercendo influência em Dom Inocêncio/PI e nos municípios próprios, tratando de execução de obras da Funasa, viagens a Brasília/DF para celebração de novos convênios e obtenção de recursos;

b) o risco potencial de destruição de documentos úteis à instrução criminal, com expressa referência à intenção de evitar ações investigativas da Polícia Federal;

c) a deliberada atenção em não tratar de determinados assuntos pela via telefônica” (fl. 322), com registro de que nos áudios “fica evidente que os investigados deixavam de tratar certos assuntos por telefone, preferindo o uso do aplicativo ‘WhatsApp’” (fl. 322).

d) expressa “referência ao pagamento de valores a agentes públicos em final de mandato e à emissão de notas fiscais possivelmente inidôneas” (fl. 322).

MOVIMENTAÇÃO DE R$ 4,6 MILHÕES –  Até o momento, as investigações apontam que ingressaram nas contas de Inocêncio Leal Parente R$ 2.141.070,21 sem identificação de origem. No total, a Polícia Federal informou à Justiça que entre os valores com origem identificada e oculta, ingressaram nas contas do ex-prefeito R$ 4.611.244,82 entre janeiro de 2010 e dezembro de 2012.