SINTE avisa que escolas do Piauí não tem condições de ter ensino à distância

PROFESSORES EM DOIS MESES DE GREVE – O Sinte Piauí entregou ofício na segunda-feira (13) ao secretário de educação, Ellen Gera (foto), expondo a sua oposição ao regime de aulas não presenciais no sistema educacional piauiense.

Para o Sindicato dos Professores da Educação do Piauí, a rede pública estadual não tem condições de ofertar ensino à distância para todos os estudantes, o que provocaria uma desigualdade educacional e social.

Além disso, antes da quarentena os professores já estavam em greve desde o início do mês de fevereiro por questões salariais.

O documento apresenta, ainda, sete motivos que tornaria essa modalidade de ensino inviável.

Leia abaixo a íntegra do documento:

Teresina-PI,13 de abril de 2020

DO: Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica Pública do Piauí.

PARA: Exmo. Governador do Piauí, José Wellington Barroso de Araújo Dias.

Por meio deste, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica Pública do Piauí, Sinte Piauí, solicita a suspensão do projeto que visa a implementar o ensino a distância (EaD) na rede pública de educação do nosso estado, através da mediação tecnológica do Canal Educação.

Entendemos que, em função da propagação vertiginosa da pandemia Covid-19, o nosso sistema de educação foi diretamente afetado, realidade similar à de diversos países, deixando mais de 1,5 bilhão de estudantes fora da escola em todo o mundo.

No Brasil, todas as escolas estão temporariamente fechadas com o objetivo de proteger os estudantes, no intuito de reduzir as chances de que eles se tornem vetores do vírus para suas famílias e comunidade, sobretudo para os idosos e demais grupos de risco.

Sabemos que o fechamento das escolas importa na interrupção do processo de aprendizagem, principalmente para crianças com alta vulnerabilidade. A ausência de interação entre estudantes e professores rompe este processo e afeta a rede de proteção social.

A par deste cenário, questionamos a estratégia adotada pela secretaria de educação do estado do Piauí (Seduc-PI) para lidar com o fechamento temporário, direcionada para a educação à distância.

No Piauí, a substituição de aulas presenciais por aulas a distância deve considerar a enorme desigualdade de acesso ao Canal Educação e demais ferramentas de aprendizagem virtual, a infraestrutura das escolas e a incapacidade e inexperiência de professores e gestores no uso da tecnologia para aprendizagem. Outros agravantes devem ser considerados, entre estes o nível socioeconômico e diferenças significativas de conectividade entre os meios rural e urbano,

Uma implementação efetiva e equitativa do ensino a distância deve considerar esses aspectos, exigindo planejamento para evitar que as desigualdades de aprendizagem, dentro e entre as redes de educação, sejam exacerbadas. Esta transição repentina para ensino a distância em escala, desconsiderando a incapacidade da rede de ensino estadual em ofertar aulas de qualidade a distância e a dos alunos em ter a estrutura tecnológica e o apoio necessários para absorver este material, reforçará as elevadas desigualdades de aprendizado.

Pelo exposto, este projeto representa, de fato, um mecanismo elitista de distribuição de conhecimento, agudizando as diferenças sociais dos alunos das escolas públicas do Piauí. Nada substitui a interação que ocorre na comunidade escolar, no curso da modalidade de educação presencial. E, é esta interação que proporciona a aprendizagem e produz o conhecimento. 

Portanto, é patente que a educação a distância como atividade regular e contada nos dias letivos, ao não garantir o acesso universal às aulas, ampliará as desigualdades educacionais e sociais.

Assim, considerando que:

  • Muitas escolas no Piauí não possuem infraestrutura para o ensino a distância e docentes com formação adequada para trabalhar com a modalidade;
  • O acesso à internet é desigual, principalmente na área rural;
  • A modalidade a distância é inviável e ilegal para a Educação Infantil;
  • O EaD não é adequado para o Ensino Fundamental;
  • O ensino a distância não é uma realidade para o Ensino Médio;   
  • O EaD traz complexidades para gestão das redes, e
  • A apropriação de dados e a mercantilização da educação são riscos evidentes no Ead.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica Pública do Piauí, requer a imediata suspensão do processo de implantação do ensino a distância, em substituição às aulas presenciais, percebendo-o como um grande equívoco, principalmente nas dimensões social e pedagógica.

Certo do pronto atendimento reiteramos votos de estima e apreço.

Paulina Pereira Silva de Almeida

Presidente – SINTE/PI

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